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História da Raça

Origem do Asinino

Os asininos pertencem ao reino Animalia, filo Chordata, a classe Mammalia, da ordem dos Perissodáctilos, família Equidae, gênero Equus, espécie Equus asinus.

São diversas as teorias sobre a origem dos asininos domésticos.

Acreditam-se que as espécies Equus asinus africanus nativo da região nordeste da África e o Equus asinus europeus da bacia do Mediterrâneo são os ancestrais comuns do asinino.

A respeito da domesticação do jumento mostra que foi utilizado mais remotamente na África e Ásia. Os mais antigos monumentos egípcios mostravam ilustrações de jumentos a parti da viagem de Abrão ao Egito, o jumento é mencionado em cada página do Gêneses, confirmando que a domesticação do jumento foi anterior à do cavalo.

Introdução dos asininos no Brasil

Os jumentos trazidos dos Arquipélagos da madeira e das Canárias foram os primeiros introduzidos no Brasil por volta 1534. No tempo Colonial Tomé de Souza trouxe outras raças como portugueses, espanhóis e africanos para estado da Bahia.

As raças transportadas pelos Portugueses progrediu para raças naturalizadas no Brasil, estás foram submetidas a seleção natural em diferentes ambientes, evoluindo para características especificas e de adaptação.

O Jumento Pêga

O desenvolvimento da mineração nos séculos XVIII e XIX nas Minas Gerais, fez crescer a preferência de desenvolver a produção de muares para atender àquela atividade.

O criador mineiro, talvez cercado por cadeias de montanhas tornou-se também fechado para criar animais e fazê-los segundo a sua visão prática.

Para vencer as grandes distâncias rumo à corte, para manter a convivência entre as populações do campo e das cidades, para suprir as necessidades básicas das famílias, para transportar a produção da terra, fizeram do muar o auxiliar preferido àquela época.

A sociedade como um todo, tinha conhecimento da importância do burro e, via de consequência, do jumento como seu elemento formador.

Não escapou à clarividência do padre Manoel Maria Torquato de Almeida, pastor de almas do Arcebispado de Mariana, para que na sua Fazenda do Curtume, situada nas fraldas da Serra de Camapoan no município de Entre Rios de Minas, em 1.810, uma criação selecionada de jumentos nacionais.

A visão deste religioso, de origem portuguesa, culto e operoso, vislumbrou um horizonte de maior importância para a pecuária nacional. Por certo, utilizou uma alta mestiçagem entre as raças italiana e egípcia e uma posterior seleção dos melhores animais para praticar os acasalamentos entre eles. As raças têm as suas histórias e lendas. A raça Pêga também tem as suas.

O nome Pêga tem origem no aparelho formado por duas argolas de ferro, formando algemas, com o qual os senhores prendiam pelos tornozelos os escravos fugitivos.

Os jumentos que deram origem à raça, eram marcados a fogo pelo seu proprietário, com uma marca figurando aquele aparelho. Assim, todos os animais deste grupo original passaram a ter a marca Pêga e, assim, reconhecidos como raça com este mesmo nome.

O Padre Torquato em 1847, vendeu ao Coronel Eduardo José de Rezende, proprietário da Fazenda do Engenho Grande dos Cataguazes, no município de Lagoa Dourada, dois machos e sete fêmeas de seus selecionados jumentos da raça Pêga, já famosa num vasto raio da região.

O Coronel Eduardo continuou a obra de melhoramento da raça com o mesmo carinho e entusiasmo do seu iniciador, voltando especial cuidado para a padronização do seu grupo de animais. Ampliou o seu criatório.

A criação de jumento do Cel. Eduardo, com a sua visão intuitiva de melhorador, com a sua prudência mineira, com o seu idealismo pode ser considerada como o berço e o marco concreto da formação da raça Pêga, hoje difundida por todo o território nacional e oficialmente reconhecida.

Para confirmar a visão de idealista do cel. Eduardo, há notícia que fez doação de um lote de jumentos a todos os seus filhos, talvez, com a intenção de que o seu trabalho não pudesse ser perdido por fatores ocasionados da vida e ficar, assim, preservada a história e a formação da raça ligada à família.

Aos quinze dias do mês de agosto de 1.947, no Parque da Gameleira, na cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, às 15:00 horas, estando presentes um grupo de criadores, em reunião, resolveram fundar, com personalidade jurídica, a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE JUMENTO PÊGA, sendo constituída uma Diretoria sob a presidência do Cel. Eliziário José de Resende.

Esta Associação tem a finalidade e objetivo de preservar e desenvolver o melhoramento genético da Raça Pêga, promover Exposições e outros eventos onde se possa trocar experiências e oferecer oportunidades de estudos da raça Pêga.

O Jumento Pêga cruzado com égua dá um excelente produto o Muar que são burros e mulas de indiscutível capacidade para o trabalho, sela ou lazer, que pela sua força, agilidade, rusticidade e sobriedade, levam grande vantagem sobre seus concorrentes.
A raça Pêga é hoje, o orgulho da pecuária nacional. O Pêga é o jumento que se afirma, tornando-se o jumento da “PREFERÊNCIA NACIONAL”.

As origens do Jumento Pêga

Segundo o Prof. Otávio Domingues, a presença de uma estirpe de asininos em uma região de Minas Gerais, constitui um fato que não pode causar estranheza a nenhum estudioso de tais assuntos. Os criadores mineiros demonstravam, por força das circunstâncias, aliada ao seu reconhecido conservadorismo, uma tendência para formação de raças locais, a tal ponto que podemos considerar esta característica como uma daquelas a distinguir o povo montanhês das demais populações brasileiras.

Sendo a produção de muares uma necessidade para a indústria da mineração, nos séculos XXIII e XIX; era natural que se estabelecesse, nos vales mineiros, uma criação de asininos para produção de muares.

Esses asininos seriam forçosamente de procedência IBÉRICA, pois naquela época o provimento das nossas necessidades, nesse terreno, teve ali sua origem mais pronta e natural.

Estudando-se os jumentos selecionados pelos criadores mineiros, não será difícil optar pela hipótese de que seu tronco étnico originário é o Equus Asinus Africanus, do qual muito se aproxima. A raça Egípcia é aquela que se acha menos longe do Jumento Pêga (mineiro) e dois são os pontos de contato indiscutível:

1. A ocorrência da pelagem branca, frequente no Jumento Egípcio, e que nenhuma outra variedade de jumento apresenta, seja do Equus Asinus Africanus ou do Equus Asinus Europeus.

2. A presença de sinais como estrela e extremidades brancas, encontradas no jumento Egípcio.

Assim, no Jumento Pêga deparamos com a presença da cor branca, seja na pelagem, seja sob a forma de sinal na fronte ou nos membros, constitui um ponto seguro a considerar no estudo da filiação da Raça Pêga.

Admitiu-se uma origem mesclada, visto não ser aceitável uma introdução exclusiva do tronco Africano. Houve introdução de reprodutores das raças Italiana, Andaluza e Egípcia. O JUMENTO PÊGA veio repontar a prevalecer as características do Equus Asinus africanus, dando-lhe, entretanto, feições distintas que permitiram constituir-se em Raça.

De um modo geral, a população asinina brasileira é uma mescla dois tipos étnicos: Africanus e Europeus. Assim o JUMENTO PÊGA representa a mescla fixada em Raça, e enobrecida pelas suas excepcionais qualidades.

Conta-se em Lagoa Dourada que o rebanho inicial da Fazenda Engenho Grande, adquirido do Padre Torquato, era constituído de dois jumentos e algumas jumentas que, desde então, não deixou penetrar neste rebanho outro sangue.

Referências:
ALMEIDA, L.D. A diversidade genética de raças asininas criadas no Brasil, baseada na análise de locos de microssatélites e DNA mitocondrial. Dissertação (Mestrado) Brasília: Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade Brasília, 2009, 83p,
ARAÚJO, N.A. Origem Histórica do Jumento Doméstico: suas raças. Patos de Mina: Grafipress, 2010.311p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE JUMENTO PÊGA. Estatutos da associação: Regulamento do Registro Genealógico Padrão da raça e outras informações. Belo Horizonte: Agosto, 1989. 72p.
DOMINGOS, O. O jumento de lagoa Dourada. Rio de Janeiro: Instituto de Zootecnia: D.N.P.A. Ministério da Agricultura, 1953, n°12, 63p.


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